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PARANAPIACABA, originário do tupi,  significa “lugar de onde se vê o mar”,  junção de paranã (mar), epîak (ver) e aba (lugar), e já fazia um tempo que queríamos passar o dia em Paranapiacaba. Depois que soubemos que esse é um dos destinos oferecidos pelo trem turístico, decidimos unir o útil ao agradável, e foi tudo de bom!

Além de ser uma delícia de passeio, esse destino é uma mistura de história, trens abandonados, ruínas e muito cambuci. Não sabe o que é cambuci? Vem conhecer!

Segundo a Wikipédia…

Paranapiacaba é um distrito do município de Santo André, no estado de São Paulo, no Brasil. Surgiu como centro de controle operacional e residência para os funcionários da companhia inglesa de trens São Paulo Railway, esta companhia que operava a estrada de ferro que realizava o transporte de cargas e pessoas do interior paulista para o porto de Santos e vice-versa.

OS INGRESSOS PARA O EXPRESSO TURÍSTICO

O trem turístico sai da estação da Luz, linha 1 do metrô de São Paulo, sempre aos domingos às 8h30 e chega em Paranapiacaba próximo às 10h30. Infelizmente os ingressos são vendidos EXCLUSIVAMENTE numa bilheteria dentro da própria estação e esgotam rapidinho!

Pra maiores informações sobre as datas e destinos do trem turístico clique aqui , pois além de Paranapiacaba, existem viagens para Mogi das Cruzes e Jundiaí.

Compramos os nossos bilhetes com 3 meses de antecedência, e na data marcada chegamos cedo na plataforma de embarque e qual não foi a nossa surpresa, quando ele saiu exatamente às 8h30, o horário marcado no bilhete?! Pontualidade britânica!

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ESCOLHENDO SEU CARRO 

Uma curiosidade é que existem 02 carros disponíveis pro passeio: um deles tem os bancos como se fosse um ônibus normal de viagem, cada qual sentando num banco individual. Já  o outro carro tem um banco para 2 passageiros: se possível reserve seu assento nele, pois olha que legal…

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… os assentos podem ficar assim, virados um pro outro caso você vá com amigos, ou caso puxe papo com a galera do Expresso! Isso acontece pois os encostos são móveis, e você pode colocá-los na posição que quiser: ou assim ou do jeito tradicional mesmo.

Achamos essa ideia genial!

O TRAJETO

Durante todo o trajeto existe uma guia que vai contando um pouco da história dos bairros de São Paulo por onde o expresso passa e do trajeto como um todo,  e também algumas curiosidades sobre a “vila” de Paranapiacaba!

O caminho é super tranquilo e depois que o trem sai da estação Rio Grande da Serra rumo à Paranapiacaba, a paisagem muda completamente, e tudo começa a “verdejar”!

DESEMBARCANDO EM PARANAPIACABA

A plataforma de desembarque fica no início de uma das principais ruas de Paranapiacaba: a avenida Fox (ok, que não é uma avenida tradicional, como as que estamos acostumados a ver nas cidades grandes, mas é a maior referência de lá), ao lado de um dos prédios que estão passando por reformas.

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O RELÓGIO INGLÊS

Assim que desembarcamos o que mais nos chamou a atenção foi o antigo relógio fabricado por Johnny Walker Benson, em Londres, na Inglaterra.

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Em 1874, foi inaugurada a Estação do Alto da Serra, que, mais tarde, seria denominada Paranapiacaba.

No ano de 1898, foi erguida uma nova estação com madeira, ferro e telhas francesas trazidos da Inglaterra. Esta estação tinha, como característica principal, o grande relógio fabricado pela Johnny Walker Benson, de Londres, que se destacava no meio da neblina muito comum naquela região.

Subindo a avenida (!) Fox, já conseguimos ver a passarela que liga as dois lados da vila de Paranapiacaba e a igrejinha lá do outro lado!

paranapiacaba

PELAS RUAS DE PARANAPIACABA

A primeira esquina da Fox é com a avenida Schnoor, onde encontramos um fusca e essa Kombi aí, e não é que uma mulher, que deve ser alguma coisa do dono dos carros, queria cobrar pra tirar foto deles?

Oi?

Estávamos no meio da rua e a fulana queria nos proibir de tirar fotos?

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Tirei essa aí só pra poder escrever essa parte do post, e alertar quem está indo pra lá. E sério, a abordagem foi extremamente abusiva!

O LOCOBREQUE

Passando pela “komboza” está a carcaça do “locobreque”, que rende ótimas fotos!

locobreque

O “locobreque” tinha a função de frear a composição na descida da serra, que simultaneamente puxava outra que subia. O cabo entre as duas máquinas passava por uma grande roda volante, chamada de “máquina-fixa” que ficava em cada um dos cinco patamares. Do nome inglês original, loco-brake, a máquina funcionava pela queima de carvão ou madeira numa fornalha, abastecida pelo foguista, que trabalhava ao lado do maquinista. As máquinas “locobreque” foram construídas em 1901 por Robert Stephenson & Co. Ltd. O sitema funicular proporcionava maior economia de energia gasta pelo “locobreque” e possibilitava o desempenho do trem nos aclives e declives. Havia uma inclinação de 8 graus entre cada um dos cinco patamares.

MUSEU DO FUNICULAR

Depois retornamos pela mesma Schnoor, fomos conhecer o Museu do Funicular.

Pra ir até lá é preciso pegar a passarela pra poder chegar até onde são vendidos os ingressos, que são bem baratinhos. Infelizmente, quando fomos a Maria fumaça não estava funcionando….

Esse museu mostra várias coisas da época em que a estação de Paranapiacaba funcionava, e fica onde era o maquinário responsável pelo cabeamento do funicular, onde os trens subiam e desciam a serra, puxado por imensos cabos. Essé é o mesmo sistema usado por exemplo no funicular de Montmartre, em Paris e nos funiculares do Chile, em Valparaiso e Santiago.

Esse era uma das rodas que tracionavam os cabos, lembrando que há água dentro desse buraco, que era pra resfriar os cabos…

Aqui, muitas ruínas, uma chaminé onde queimavam carvão, locomotivas enferrujadas…

A HIERARQUIA DAS CASAS

Depois fomos andar pela cidade e descobrimos que a hierarquia aqui era algo bem visível, inclusive no que se refere às residências: na primeira imagem as residencias dos engenheiros que vinham trabalhar na ferrovia, todas de alvenaria,  e depois os barracos de madeira, onde ficavam os “solteiros”.

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MUSEU CASTELINHO

A casa do engenheiro chefe ficava no topo da vila, de onde ele tinha uma visão mais que privilegiada. Chamada de Castelinho, hoje abriga um museu com fotos da época em que a família vivia no local, além de objetos pessoais.

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O museu estava fechado e pelo que ficamos sabendo pelo pessoal que está acostumado a visitar Paranapiacaba, isso é uma constante, infelizmente…

ONDE COMER

O restaurante mais “chiquezinho”, com uma estrutura melhor e um cardápio bem diversificado é o Bar da Zilda

Mas existem vários outros lugares, casas de moradores, restaurantes pequenos, uma variedade absurda de lugares pra comer… fome ninguém passa lá!

É só ir caminhando pelas ruas e travessas que iram aparecer muitas opções.

O CAMBUCI

Tudo lindo, tudo certo mas e o tal de CAMBUCI?

Então, cambuci, que é também o nome de um bairro aqui da zona sul de São Paulo, pertinho da Vila Mariana, é na verdade o nome de uma FRUTA, e lá em Paranapiacaba o que mais a gente vê é prato e bebida feita com ele: licor de cambuci, compota de cambuci, sorvete de cambuci.

Experimentamos o sorvete: vale a pena!

Tem um gostinho meio azedinho no final,  mas não consigo comparar com nenhum outro sabor de sorvete que tenha tomado até agora…

O cambuci ou cambucizeiro é uma árvore frutífera nativa da Mata Atlântica, infelizmente chegou a estar em perigo de extinção, por ser fortemente explorada, por ter uma madeira de excelente qualidade na fabricação de ferramentas e utensílios básicos, e ao desmatamento em consequência ao crescimento urbano da própria cidade, porém com a descoberta do seu potencial econômico já não corre mais esse risco. Antigamente abundante na cidade de São Paulo, deu nome a um de seus bairros tradicionais.

O nome cambuci é de origem indígena e deve-se à forma de seus frutos, parecidos com os potes de cerâmica que recebiam o mesmo nome.

cambuci

As frutas de Cambuci têm um perfume intenso, adocicado, mas de sabor ácido como o limão.

Parente da goiaba e da pitanga, o cambuci é caracterizado pela sua riqueza em vitamina C e por ser muito azedo ao nosso paladar – por essa razão, não é um fruta para se saborear in natura como suas ‘primas’, mesmo assim muitos o consomem desta forma.

OUTROS JEITOS DE CHEGAR EM PARANAPIACABA

Quem não quiser, não puder ou não conseguir ir pra Paranapiacaba de Expresso Turístico não precisa se preocupar, abaixo listamos os principais modos que você tem de chegar até lá!

CARRO SAINDO DE SÃO PAULO

O acesso se dá pela Via Anchieta.

Vá té o km 29, Riacho Grande e pegue a Rodovia Caminho do Mar, onde terá placas indicando o caminho pra Paranapiacaba. No km 33, altura da casa de shows Estância da Serra pegue a Rodovia Índio Tibiriçá até o km 45, então saia à sua esquerda na rotatória. Depois, fique à direita seguindo pelo sentido Rio Grande da Serra, na Rodovia Deputado Adib Chamas, a SP-122. Seguindo até o final dela fica a parte alta de Paranapiacaba,

TRANSPORTE PÚBLICO SAINDO DE SÃO PAULO

Na estação Brás do metrô (linha 2 – vermelha), embarque tendo como destino a estação de Rio Grande da Serra  (inha 10 – turquesa). Lá pegue o ônibus que vai te deixar em Paranapiacaba, o PARANAPIACABA 424. Desça no ponto final, que fica na parte alta da cidade.

TRANSPORTE PÚBLICO SAINDO DE SBC

No Terminal Rodoviário de São Bernardo do Campo, localizado no Paço Municipal embarque no ônibus com destino a  Rio Grande da Serra,  e desça no ponto final. Lá pegue o mesmo ônibus que falamos acima, o 424 – PARANAPIACABA e desça no ponto final.

 

E assim fechamos esse post com essa panorâmica tirada por nossa nossa amiga e companheira de aventuras, que vez ou outra nos acompanha pelos cantinhos de São Paulo: Simone, Vesta, Sissi… valeu pela companhia, caminhadas, conversas e sorvetes de cambuci. Amamos você!

*Créditos fotográficos

*Citações: Wikipédia

 

Planejar é viajar!
Roteiros & Dicas – Informações e ideias de roteiros, com dicas de viagem para os melhores destinos.

 

 

 

 

 

 

4 Comentários

    • Sério, Camila? Poxa, quando tiver oportunidade, vá, seja de trem turístico, de carro… mas vá conhecer! Caso queira unir o passeio com o festival de inverno, melhor ainda!

    • Moro do lado também e fui até Paranapiacaba 3 vezes apenas, mais estou planejando ir com o pessoal da faculdade e rever esse local incrível

O que achou?